Pulmão
Não sei o que esperavas, mas o que te espera é isto. O mundo do avesso, malha de medos, fúrias, tremores, frustrações, dias tormentosos, sedes incertas. Agora nada disso importa. Compõe-te. Chegas, sentas-te, olhas para longe e respiras fundo. Não sabes o que é esperado, mas esperam-te. Acaba com isto. Faz sinal e começa.
Olhos fechados, tudo fechado menos as mãos, dançantes, abertas. Abres-te com elas, voz, pele, olhos, corpo.
Não sabemos nunca o que esperar, mas não esperamos isto. O mundo em dobadoira, fios de fascínio, viagem, sussurro, alento, o abrigo da noite e um copo de vinho. Respira só, ser vivo.