Frenética figura
Pára com essa dança inconsequente. O que é isso que estás a fazer? Não digas nada. Pára e pensa no motivo por que o fazes. Tudo o que vejo é um conjunto de indivíduos em histeria, a tentar disfarçar uma deprimente necessidade de silêncio. E a criar no meio disso mais ruído. Agitando-se coordenadamente, ao som da mesma canção. Ensaiados, mutilados. Pára com isso e olha à tua volta.
Entende que nada do que imaginas nasce do teu gesto. Apenas uma farsa que esconde ser outro o gesto consequente. Roubaram-lhe o nome e deram-lhe outra face. Porque podia ser perigoso. Porque é uma arma poderosa. Porque podias usá-lo para desenhar as órbitas girassolares do teu planeta.
Não, não deixaram que isso acontecesse. Não deixariam. E aí segues tu para a próxima grande causa. Qual é a marca? Aparentemente a tua. Nenhuma marca naquilo que fica por dentro das horas a passar. Vestes a camisola e vais para a flash-mob. E quase esqueces que acordas sem camisola todas as manhãs.